terça-feira, 18 de maio de 2010

Paixão

Sangue que ferve enquanto espera
Num fogo sempre a consumir
Com um lume que ilumina
Um olhar que fervilha pelo sentir
Demasiado quente, sem demora
Tudo é baço à volta,
Já nada se define. Respira.
Chegaste, está na hora
Somos um. Calafrio profundo.
Neste momento senti um mundo
É até uma agonia, singela e pura
Paixão, nua e crua.



Para a Fábrica de Letras subordinado ao tema Paixão

terça-feira, 11 de maio de 2010

Mãos

As minhas mãos começam a dar sinais
Sinais de que estás a chegar
Elas tremem e transpiram
Que até parecem chorar
De alegria, ansiedade. Querem-te.
Apertar contra mim
Num envolvimento perfeito
Quase surreal, letal
Sinto um sufoco quase desesperado
Que fica trancado, entrelaçado
No desejo de ti.
Elas transpiram. Tenho medo.
Não recues. Não rejeites.
Fica, entrelaça, desespera, aperta.

domingo, 9 de maio de 2010

Confusões sentimentais

Do meu interior te digo
Que só não digo
O que realmente sinto
Estou desgastada
Sem cor, sem sabor, sem textura
Já não há amor que chegue
Para tanta dor acumulada
Qual olhar sentido e chorado
A minha alma denegrida
Sofre como eu respiro
Sofrer é respirar
Entra, e não sai...
Vai-se instalando
E formando um grito, um nó
Que se solta sem piedade nem dó
De ti.
Estou só.
Sinto-me só.
Porque tu és quem causa este turbilhão
Não há amor. O amor não existe
É apenas utopia, ilusão
Desmanchada de um qualquer sonho
Que nem sonho foi.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Sometimes i think that i could love you forever and sometimes i don't.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Questões

A intermitência dos meus sentimentos por ti põem-me em franja de nervos e de amor! Ora gosto de ti, ora quero-te longe, ora quero um beijo, ora quero a despedida, o para sempre, e depois quero o nunca. Tudo tão seguido que parece ser contínuo, este baile de desejos e quereres que nascem dentro de mim. Alma insatisfeita, que transforma uma frequência fraca e dura em algo que se desfaz, que escorre e forma a ininterrupta e quase invisível, mas constante, linha da nossa ligação. Nem com ela, nem sem ela.

sábado, 27 de março de 2010

Just thinkig about you...


[we]

Tu és o dono do lugar onde todos os meus pensamentos se vão esconder e bem debaixo da tua roupa é onde eu os vou encontrar, debaixo delas há uma história sem fim, está lá o homem que eu escolhi.

domingo, 21 de março de 2010

Força de Cretcheu

Ca tem nada na es bida
Mas grande que amor
Se Deus ca tem medida
Amor inda é maior.
Maior que mar, que céu
Mas, entre tudo cretcheu
De meu inda é maior

Cretcheu más sabe,
É quel que é di meu
Ele é que é tchabe
Que abrim nha céu.
Cretcheu más sabe
É quel qui crem
Ai sim perdel
Morte dja bem

Ó força de chetcheu,
Que abrim nha asa em flôr
Dixam bá alcança céu
Pa'n bá odja Nôs Senhor
Pa'n bá pedil semente
De amor cuma ês di meu
Pa'n bem dá tudo djente
Pa tudo bá conché céu

Eugénio Tavares

Tenho aprendido um bocadinho de crioulo cabo-verdiano, este é um dos meus poemas preferidos. Chama-se "Força do Amor" e é do autor cabo-verdiano Eugénio Tavares. Para assinalar aqui o dia internacional da poesia - 21 de Março.

domingo, 14 de março de 2010

Segredo

Se há segredos em mim
Tenho medo dos que há em ti
Por pensar que podem ser
Como os que eu costumo esconder

Estou presa num enredo
Que me prende neste medo
Num lugar suspenso no tempo
Que demora a revelar um segredo

São palavras e imagens
São imagens e sons
São sons e cheiros
São cheiros e recordações
São cheiros, cheiros, cheiros
São segredos passados
Ou apenas pensamentos trancados


Dou-te a minha chave
Que é simples, fácil de copiar
Meras palavras minhas
Que fazem sonhos desmoronar

Quebrou

Tudo que sente em mim, é o meu coração
E agora está partido
Não há mais nada de bonito a dizer
Quebraram-mo e não me deram a mão
E agora estou só
Partiu, de cima abaixo
E dói tanto!
Não há nada para o curar
Nem deixando de amar

segunda-feira, 8 de março de 2010

Silêncio, uma realidade que já existe há muito tempo.

Hoje estava na paragem de autocarros e estavam uns dez miúdos talvez com 10, 11 anos. Estava um a chamar nomes (gordo, porco..) a outro e os outros todos a rirem. O miúdo gozado dizia para pararem mas ainda gozavam mais e davam-lhe encontrões. Ele veio para mais perto de mim e veio uma miúda que disse "Oh, ele nem fala! Ah, pois! os porcos não falam!" e todos os outros riram! Apeteceu-me sair à estalada neles todos! Eu já estava a perder a paciência, sempre detestei estas cenas e sempre fiquei do lado dos que são gozados, mesmo que o fosse também. O miúdo estava quase a chorar e os outros ao notarem, gozavam e riam ainda mais e entretanto chegou o autocarro. Todos entraram e ele ficou pra último e fui ao pé dele e disse-lhe pra ele tentar não lhes ligar, que eram um bando de estúpidos. O miúdo disse que sabia disso e que não ligava, mas estava mesmo quase a chorar e eu entrei no autocarro com as lágrimas nos olhos. Sempre odiei isto, corta-me o coração! É que são sempre 10 contra um, ou mais! A minha melhor amiga passou isto durante alguns anos, todos os dias, porque era mais magra que os outros, uma vez na sala de aula cortaram-lhe o casaco novo com uma tesoura! No 7º ano, quase toda a turma deixou de falar comigo e outra amiga nossa porque éramos amigas dela. Agora tudo passou, mas sei que essas crianças sofrem muito e se eu pudesse ajudava-os a todos, mas a verdade é que não posso! E eles mantêm-se no silêncio. Não dizem nada a ninguém e sofrem muito. Por isto é que eu digo, há crianças e crianças, e há criaturas más que só estão bem a fazer mal aos outros! Infelizmente isto é uma coisa quase impossível de parar! A minha mãe diz que há-de ser sempre assim, eu gostava de acreditar que não, mas não acredito.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Espera,

Pintei os lábios para escrever a minha boca na tua.




Não apagues.

Explicação

Recebi os dois primeiros selos para o [almost] me!

Da Métrica das Palavras:
Dizer 10 coisas que não me saem da cabeça:
Estou de férias multiplicado por dez porque não me sai mais nada da cabeça hoje!

Do Planícies da Memória:

Dizer o que acho do selo: É lindo! :)

Passo os dois a:



Obrigada :)

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Querido,

As rosas que me deste, agora secas, estavam à janela a apanhar sol.
O sol foi-se e deu lugar ao vento que as levou, lavadas na chuva que caiu.
Mas não te preocupes, o sentimento e recordação ficaram.
Comigo.
Sempre comigo, como tu.
Rosas há muitas, tu és só um.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Pensar e sentir

Sensações amontoadas no meu peito
Em eternos combates silenciosos
Por isso em desequilíbrio perfeito
Com os sentimentos mais fogosos

É um estonteante caminho
Pelo interior do meu alguém
Em busca do pergaminho
Que me tira de ser ninguém

Destinos e tristes fados
Destinos e boas sortes
Todos eles foram traçados
Ao mesmo tempo que as nossas mortes
Emoções de um hoje feliz
Amanhã apenas serão
Recordações das escolhas que fiz
Por me guiar pela razão

Até a escuridão mais escura
Me traz alguma clareza
Porque a noite é pura
E mais clara que a incerteza
Apalpo o caminho por onde sigo
Pois a única coisa que sei
É que não sei se consigo
Chegar onde numa noite sonhei!

Nas dúvidas que voltam
Depois da certeza acabar
Ficam pensamentos que se soltam
Apenas pelo sentimento incomodar
Estou dentro de um labirinto
Em que tento reconciliar
O que penso e o que sinto!

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Velhice


A velhice das palavras é mais velha de todas as velhices
Qual lágrima que escorre e corre, primeiro em frente
Depois encontra rugas, uma hoje outra amanhã
E já não vai em frente, mas curva cada estória
Que ficou para trás na história mas é presente no coração
As palavras não se esgotam e duram para sempre
São marcos diários que envelhecem na sua invenção
Pormenorizada ou em rima como uma canção
Canção velha, de há muitos anos, que traz memórias
Que faz lembrar estórias e histórias
Que fazem sorrir, rugas de expressão
Sentimentos antigos, livres da moderna formatação
Velhos são os trapos!
Os antigos são guapos!
Perfeitas rugas de perfeitas velhices
De quem chega ao fim mas que não é vazio
Nem há vácuo, nem está preso por um fio
De contos esquecidos ou ignorados
Memórias e pensamentos honrados
Conta-me histórias! Ela conta histórias
Que jamais outro alguém irá viver.
A velhice é de quem chega lá
É vida, vivência, experiência, sofrimento e dor
Saudade, alegrias mil, lágrimas de amor
A Deus e aos seus.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Importante

Não me esqueço nem nunca me esquecerei do dia, hora e lugar em que me chamaste "Amor".

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

A vida é bela.

[foto minha - um fim de tarde de Inverno]

Ela caminhava acelerada... Não tinha a certeza que era ele, mas da maneira forte que o coração lhe bateu, só podia ser ele. Entrou no mar, sempre baixo. O dia estava a preparar-se para terminar. As águas estavam douradas e ela fascinada. O coração batia - pum! pum! pum! pum-pum! - era ele! Reencontrou-o! As ondas calmas afagavam a areia que ele pisava agora. Ela cansou-se de fugir e esperou que ele a abraçasse e tirasse dali, ao colo. O olhar dele era a coisa mais bela que jamais ela tinha visto, castanho e brilhante - aquele castanho brilhava mais do que nunca quando chocava com o verde dos dela.

A beleza não está onde uns e outros a vêem. Eu sei onde está a beleza. Está numa ruga que se ganhou por felicidade. Está numa folha que cai, castanha, no Outono. Está no sol que se põe ao fim da tarde e promete voltar.
A beleza está na essência do nosso ser. Somos belos se assim o quisermos ser. Mostrar um sorriso de felicidade! Há coisa mais bela? Ou uma lágrima. É água, transparente e singela.
A beleza choca-me. Há fins de tarde que de tão belos que são - sol a pôr-se, céu alaranjado, nuvens escassas, brisa suave - parecem saídos de um livro fantástico.
A beleza está o amor. Na confidência. Na alegria. Na amizade. A beleza está lá fora. Do outro lado da janela - vida, é beleza. Se a beleza é perfeição, a vida é beleza.



Para a Fábrica de Letras

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Lições de amor


A palavra de despedida é a palavra de praxe.
Diz-se o que o outro já sabe há muito, mas que não vê.

Soa-me a rotina, a palavras rotineiras
Ditas sem sentir, sem coração
Ditas sem ele saltar as estribeiras
Sem amor ou saudade ou paixão
Apenas uma palavra seca
De uma alma que não sabe amar
Que é fraca
Que desdenha mas não quer comprar
Não quero mais palavras sem sal
Que venham mas com impulso
Com força, brilhantes como o cristal
Sentidas
Porque sentir entre dois seres
É o que mais importa.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Trash


Às vezes acho que perco tempo demais a pensar em ti, no que te dizer, no que fazer, no que te dar.
Já te dei tudo.
Perco esse tempo a pensar no que fazer para te ver sorrir.
Acho que isso já não vale a pena e vou começar a tratar-te como algo adquirido.
Ou isso, ou então fazer algo que mostre que não sou um dado adquirido.
Assim só para ver se a coisa melhora.
É que isto de sermos frios não é para mim.
Eu gosto de calor.
Humano, de preferência.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Mudança


Vagueio por aí mas não saio do mesmo sítio.
O mundo muda mas tudo me parece igual e impossível de ser mudado. Acho mesmo que é. O que se altera é o momento do ciclo porque a vida é um ciclo, vicioso por vezes, uma dia é moda o castanho, um ano é moda o verde e corre as cores todas até chegar um dia de um ano em que volta a moda do castanho e achamos um máximo porque já não era moda desde a última vez em que o foi. Por isso, nada muda. No entanto mantenho-me fiel ao pensamento que não muda mas transforma-se. E mudar não é transformar? Não. Mudar é ficar diferente. Transformar é evoluir (ou pelo menos pretende-se que evolua porque também pode regredir).
Viajo por aí mas não saio do mesmo sítio.
As pessoas transformam-se mas parecem-me sempre as mesmas pois estou presente nessa transformação. Só não me parecem as mesmas no dia da transformação. Dois dias depois já são iguais, as mesmas de sempre! E não é assim com todos nós? Pois, eu sei que sim.

Nada muda, tudo se transforma.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Tu


Os abraços fortes é o que mais me marca.
Tu marcas-me.
Fazes-me viver.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

A aventura dos sentidos


Sentir é sem dúvida a maior das aventuras que podemos experimentar.
Sentes um rush pelo corpo todo como se estivesses a fazer queda livre?
Eu sinto. Queda livre. Total liberdade. Depois caio e os teus braços aconchegam-me e sinto de novo. Desta vez sinto calma... Como o mar nas manhãs quentes de Verão que embala a alma.
Sinto mais do que devia.
Gostava que sentisses como eu. Ora é forte. Arruína-me, devora-me. Ora é calmo. Acalma-me, adormece-me.
Sentir. Se sentires vais longe, dás a volta ao universo num segundo e está tudo dentro de ti.
Tens a força que precisas para acreditares nisso. Eu sou a tua força? Tu és a minha. Levas-me tão alto, tão rápido, que nem respiro. Desço devagar para aproveitar o dom que é sentir. A pele queima. O respirar acelera. O gosto aguça, fica guloso. Sofro de gula por ti. Sinto-te e saboreio-te demais. Sente comigo.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Rotina


Já não sei o que hei-de fazer
Para mudar esta rotina
Esta vida que nunca imaginei
Que pudesse ter
Cada lágrima parece ser
Mais um marco da minha sina
Algo que já é natural
E que se o contrário acontecer
Já não é normal da rotina

Pode não ser assim...
Mas parece!
Cada olhar ao céu
É mais uma prece
É o princípio e o fim
De algo que perturba em mim
O sentido de ser
E não há nada a fazer
A não ser...
Crer!
Que há-de tudo mudar
Que há-de haver mudança
Se ninguém mais acreditar
Serei eu a ter confiança!
Nada acaba no princípio
E este nem sempre
Parece estar no início...

Enganos da minha mente!
Que como todas, se engana
Mas a minha, que é só minha
E de mais ninguém, senão minha
Há-de descobrir a meta
Há-de descobrir o fim
Há-de ir para onde aponta a seta
E levar-me, a mim
Para fora da rotina
Que até já na minha retina
Está gravada
E já não a deixa fascinada
Com nada!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Não te quero perder.


-Sabes que por vezes amar não chega...
-Sei sim.
-É preciso respeito, confiança, essas coisas todas que já conhecemos.
-Mas eu respeito-te!
-Mas não confias em mim... E quando não confias acabas por me desrespeitar.
-Desculpa.
-Não me peças mais desculpas. Um dia vou embora.
-Não vais porque eu não deixo!
-Vou. E depois perguntam-te porque eu fui e tu não vais saber, porque tu nunca sabes porque fazes isso.
-Não vais. Eu não vou fazer mais nada contra nós.
-Vamos ver até quando tu aguentas...

domingo, 27 de dezembro de 2009

Cai chuva sem parar


Cai chuva sem parar
Que por trás das nuvens que te choram
Eu sei que está o sol rei a raiar

Cai chuva sem parar
Que levas as tristezas da minha alma
Que já não sabe cantar

Cai chuva sem parar
Que tornas tudo tão nostálgico
Saudade da junção de um par ímpar

Cai chuva sem parar
Que compreendes mais do que tudo
As questões que me costumo perguntar

Cai chuva sem parar
Cais...
Aqui.
Cais...
Ali.
E eu estou mais uma vez apenas a ouvir
A chuva a cair.