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domingo, 14 de março de 2010

Segredo

Se há segredos em mim
Tenho medo dos que há em ti
Por pensar que podem ser
Como os que eu costumo esconder

Estou presa num enredo
Que me prende neste medo
Num lugar suspenso no tempo
Que demora a revelar um segredo

São palavras e imagens
São imagens e sons
São sons e cheiros
São cheiros e recordações
São cheiros, cheiros, cheiros
São segredos passados
Ou apenas pensamentos trancados


Dou-te a minha chave
Que é simples, fácil de copiar
Meras palavras minhas
Que fazem sonhos desmoronar

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Pensar e sentir

Sensações amontoadas no meu peito
Em eternos combates silenciosos
Por isso em desequilíbrio perfeito
Com os sentimentos mais fogosos

É um estonteante caminho
Pelo interior do meu alguém
Em busca do pergaminho
Que me tira de ser ninguém

Destinos e tristes fados
Destinos e boas sortes
Todos eles foram traçados
Ao mesmo tempo que as nossas mortes
Emoções de um hoje feliz
Amanhã apenas serão
Recordações das escolhas que fiz
Por me guiar pela razão

Até a escuridão mais escura
Me traz alguma clareza
Porque a noite é pura
E mais clara que a incerteza
Apalpo o caminho por onde sigo
Pois a única coisa que sei
É que não sei se consigo
Chegar onde numa noite sonhei!

Nas dúvidas que voltam
Depois da certeza acabar
Ficam pensamentos que se soltam
Apenas pelo sentimento incomodar
Estou dentro de um labirinto
Em que tento reconciliar
O que penso e o que sinto!

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Rotina


Já não sei o que hei-de fazer
Para mudar esta rotina
Esta vida que nunca imaginei
Que pudesse ter
Cada lágrima parece ser
Mais um marco da minha sina
Algo que já é natural
E que se o contrário acontecer
Já não é normal da rotina

Pode não ser assim...
Mas parece!
Cada olhar ao céu
É mais uma prece
É o princípio e o fim
De algo que perturba em mim
O sentido de ser
E não há nada a fazer
A não ser...
Crer!
Que há-de tudo mudar
Que há-de haver mudança
Se ninguém mais acreditar
Serei eu a ter confiança!
Nada acaba no princípio
E este nem sempre
Parece estar no início...

Enganos da minha mente!
Que como todas, se engana
Mas a minha, que é só minha
E de mais ninguém, senão minha
Há-de descobrir a meta
Há-de descobrir o fim
Há-de ir para onde aponta a seta
E levar-me, a mim
Para fora da rotina
Que até já na minha retina
Está gravada
E já não a deixa fascinada
Com nada!

domingo, 27 de dezembro de 2009

Cai chuva sem parar


Cai chuva sem parar
Que por trás das nuvens que te choram
Eu sei que está o sol rei a raiar

Cai chuva sem parar
Que levas as tristezas da minha alma
Que já não sabe cantar

Cai chuva sem parar
Que tornas tudo tão nostálgico
Saudade da junção de um par ímpar

Cai chuva sem parar
Que compreendes mais do que tudo
As questões que me costumo perguntar

Cai chuva sem parar
Cais...
Aqui.
Cais...
Ali.
E eu estou mais uma vez apenas a ouvir
A chuva a cair.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Preto e branco

Branco e preto.
Preto e branco.
Sou eu e és tu.
Somos nós. Tu e eu. Os dois.
Lugar seguro como o peito dele não há.
Regaço dela que é leito
E em jeito de encosto serve de preceito
Para mais um gosto de encostar
Branca ela, preto ele.
Conjugação perfeita ou pré-feita
Junção cromática.
Não é mono nem estática.
Preto e branco ou no branco.
Nu preto, nu branco.
É clareza!
De ideias, de palavras.
De sentimentos.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

She can't find her way.

A minha alma é parva de tão insatisfeita que se sente.
É como um furacão, que não abranda, inconsequente.
Uma criança com mimo e carente.
Um texto objectivo mas que te deixa reticente.
Sim!
Nada a satisfaz!
Quer sempre mais...
Quer confusão! Oh! Qual turbilhão!
De sentimentos! Sentimentos?
Sentir... Fugir... Esconder.
Multifacetada para sua protecção.
Querer mais, é arriscar mais.
Quer sempre mais...
Quer lágrimas! Oh! Qual felicidade!
De coração! Coração?
Sentir... Fugir... Esconder
Querer mais é querer viver.
Aventurar-se. Descobrir. Insatisfação.
Mais, mais e mais.

Sejam bem-vindos!

Gostar de gostar.
Resume-se a isto. Amar.
Quem ama consente, quem ama sente.
Quem ama escuta, ouve, atenta.
Quem ama sabe.
Dor dormente.
Dor quente.
Dor que sente.
Ou alegria. Ou razão de viver.
De sorrir.
De caminhar.
Quem ama sabe porque sente.